Um rookie muito especial: Ricardo Barbosa estreia na Stock Light aos 43 anos

Quando entrou no carro número 55 da equipe MotorFast Racing para os treinos livres que abrem a sétima e penúltima etapa da temporada 2019 da Stock Light, Ricardo Barbosa sabia que não era um rookie padrão. Além de estrear na reta final do campeonato, o piloto de 43 anos nascido e morador de Resende (RJ) se tornou o mais velho da categoria de acesso, em que meio grid tem metade da sua idade e alguns o dobro da experiência.

Sobre a idade, é só olhar para o grid da Stock Car para constatar que ela não é impedimento. Quatro dos sete campeões que estão no grid da principal categoria do automobilismo nacional têm mais de 40 anos: Rubens Barrichello (47), Max Wilson (47), Cacá Bueno (43) e Ricardo Maurício (40), além dos vencedores da Corrida do Milhão Valdeno Brito (45) e Ricardo Zonta (43).

“A idade em si não é um problema se você se mantém bem preparado fisicamente, que é o meu caso. Disputo campeonatos de kart que exigem bastante fisicamente. Certamente a falta de experiência nesse carro tem mais peso. Mas embora eu adore a competição, no sentido de disputar as curvas com os adversários, minhas expectativas são mais em relação ao meu próprio desempenho”, diz o empresário, que começou a correr em 1994 nos Regionais do Rio de Janeiro, se afastou das pistas entre 2000 e 2005 em função de faculdade e trabalho, e tem como maior conquista a vitória nas 500 Milhas de Maimi (EUA) de 2017, em Homestead, dividindo uma Ginetta com Cássio Homem de Mello, que deve estar em Goiânia como coach do amigo.

Confira a entrevista com o novato:

Como você começou no automobilismo?

Comecei em 1994 em Jacarepaguá, no Rio, correndo no campeonato regional grupo N, que na época contava com a presença dos grandes nomes do brasileiro de Marcas e Pilotos, como Andreas Mattheis, Guga Ribas, Silvio Crema, Jorge de Freitas, José Mário de Castilho, entre outros, sempre com grids cheios. Não fui kartista, comecei direto nos carros de turismo, comecei a andar de kart em 2012 para manter os reflexos em dia e me sentir competitivo, o que faço até hoje.

Em que categorias andou?

Regionais no Rio de Janeiro, Grupo N, Turismo A, Campeonato Carioca de Marcas e Pilotos, F-Uno, Copa Clio, Campeonato Gaúcho de Endurance, Endurance Brasil, Campeonato Carioca de Kart, Veloce Supercup, Campeonato Americano de Endurance (Fara Series).

Que carro em que andou é mais próximo do Stock Light? (tração, potência, comportamento)

Andei de Protótipo no Sul e Ginetta G55 nos Estados Unidos, que são carros de grande potência tração traseira, verdadeiros carros de corrida.

Por que decidiu estrear como piloto no fim da temporada?

Porque já estava em tratativas com a equipe MotorFast, equipe carioca pela qual disputei várias provas nos campeonatos regionais. Fui à Corrida do Milhão prestigiar a equipe e lá a oportunidade se concretizou.

Pretende correr em 2020?

Sim pretendo, e nosso projeto, meu junto com a equipe é de 3 anos. Montar um time forte com 2 ou 3 pilotos, investir em infraestrutura visando disputar o campeonato nos próximos anos.

Como se sente sendo o mais velho do grid?

Hoje estou com 43 anos e me sinto muito bem fisicamente e competitivo. Ter a oportunidade de disputar uma categoria tão competitiva nesta idade é um privilégio. Poder estar no mesmo grid que a nata ascendente do automobilismo brasileiro é um grande desafio, e gosto de desafios. Recentemente vi amigos próximos com sérios problemas de saúde e decidi aproveitar ao máximo as oportunidades. Não me sinto velho, espírito jovem sempre.

Como se prepara fisicamente pra esse desafio?

Treino funcional específico, Jiu-Jitsu e ciclismo. Além de disputar campeonatos e treinos de kart.

Quais são suas expectativas para essa primeira corrida?

Minhas expectativas são sempre altas, seja no esporte seja no trabalho, mas tenho que ter o pé no chão e saber que estou entrando no fim da temporada, num campeonato super competitivo com grande equipes e pilotos que acompanho e admiro. Esta será a segunda vez que a categoria disputa a prova de Goiânia nesta temporada e todos já aperfeiçoaram seus acertos.

Nossa equipe não teve uma temporada completa e regular e não foi a Goiânia, será novidade tanto para mim quanto para a equipe. Quero me sentir competitivo com um bom ritmo de corrida, e aproveitar ao máximo o tempo dentro e fora do carro para aprendizado e aperfeiçoamento.

Como você vai diminuir esse gap em relação a Goiânia? Trabalha no simulador?

Sim, quando estou em São Paulo uso simulador profissional da Pilotech, do meu amigo Luca Milani, e uso simulador em casa com o software automobilista da Stock Car.