De la Rosa explica: Por que a Fórmula E não usa telemetria?

Pedro de la Rosa, assessor da equipe da DS Techeetah, explica as razões pelas quais a categoria elétrica não possui dados de telemetria em seus carros.

Os avanços tecnológicos são muito úteis no dia-a-dia das pessoas e especialmente na indústria automobilística, permitindo grandes melhorias em segurança e conforto.

Nas últimas décadas, a tecnologia também invadiu as corridas de carros, em muitos casos indo contra o show na pista, algo que a Fórmula E busca ter o cuidado de evitar, buscando sempre um show com verdadeiras batalhas nas pistas.

Um aspecto básico da série de carros 100% elétricos é que não há telemetria entre as garagens e os pilotos, o que ajuda muito o show, já que os pilotos podem se destacar.

“A telemetria está proibida na Fórmula E. A telemetria significa basicamente que tudo o que está acontecendo no carro em tempo real se transmite às equipes. Isso acontece na Fórmula 1, e é o pão de cada dia, é completamente normal. Na Fórmula E, não”, explica De la Rosa, que jogou mais de 100 grandes prêmios F1 entre 1999 e 2012 e atualmente é assessor da equipe DS Techeetah.

“E principalmente porque se procura valorizar mais o trabalho do piloto, sozinho no carro, sem muita ajuda do engenheiro. Se o engenheiro tem acesso à esta informação em tempo real, poderia dizer ao piloto tudo que deve fazer, sobretudo no que diz respeito à gestão energética.”

De la Rosa indica que um dos pontos na proibição da telemetria é que é o piloto que informa a equipe quanto de energia resta na bateria durante a corrida e o próprio corredor deve lidar com isso da melhor maneira.

“É muito importante que o piloto seja o herói, mas também seja quem administre a energia.”

“É o piloto, cada vez que atravessa a linha de meta, quem informa aos engenheiros através do rádio, quanta energia ainda temos disponível. Baseado nisso, o piloto também decide como administra o que ainda tem de bateria até o final da corrida. Se vai fazer um último tramo da corrida mais intenso, ou economizando mais no final e usando mais energia no começo.”

Para De la Rosa, que soube aproveitar os benefícios da telemetria na F1, aguarda com expectativa este aspecto da Fórmula E.

“Eu acho que isso é algo muito positivo, porque favorece o show e favorece que o piloto tenha que lidar com a administração de muitos parâmetros, o que da outra forma, na Fórmula 1, é feito pelo engenheiro, quem diz ao piloto o que deve fazer e isso é o que as pessoas não querem.”, finalizou o espanhol.