Andretti considera que terceiro carro ajudaria na popularidade da F1

O chefe da Mercedes, Toto Wolff, sugeriu recentemente que a Fórmula 1 deveria considerar a opção de permitir que as equipes tivessem um terceiro carro, agora a lenda do automobilismo, Mario Andretti, deu apoio ao conceito e acredita que isso poderia impulsionar a popularidade do esporte.

O próprio Andretti foi beneficiado pelo conceito de um terceiro carro “convidado”, que prevaleceu nos anos 60 e 70, quando as equipes podiam incluir um terceiro carro, seja como parte da equipe principal ou com uma equipe satélite.

Em 1968, o herói local, já um astro das corridas nos Estados Unidos, Andretti foi convidado no Grande Prêmio dos Estados Unidos em Watkins Glen, pelo chefe da Lotus, Colin Chapman. Andretti se juntou a Graham Hill e Jackie Oliver. O time havia perdido Jim Clark, quando ele faleceu num acidente em Hockenheim, em abril.

O estreante americano conquistou as manchetes, quando se classificou na pole em sua corrida em casa, mas foi forçado a abandonar seu Lotus com um problema na embreagem.

Três temporadas depois, no Grande Prêmio da África do Sul de 1971, juntando-se a Jacky Ickx e Clay Regazzoni em uma terceira Ferrari, Andretti venceu a corrida, conquistando sua primeira vitória na Fórmula 1, em seu décimo grande prêmio.

Sua primeira temporada completa, sem pular um único grande prêmio, foi em 1977 com a Lotus. Um ano depois, ele se tornou campeão mundial de F1, no icônico Lotus 79 de Colin Chapman.

Durante uma entrevista com a Motorsport-Total, a ideia do terceiro carro levou o piloto de 78 anos a comentar: “Isso não seria realmente interessante e ajudaria a aumentar a popularidade do esporte?”

“Imaginemos, por exemplo, que o campeão da Indy, Josef Newgarden, fosse convidado no Grande Prêmio dos Estados Unidos, com a Mercedes, a Ferrari ou a Red Bull, conseguindo um terceiro carro para a corrida. Isso seria enorme! Isso atrairia mais 40.000 pessoas”.

Andretti vai além e sugere a implementação de “pilotos convidados”, para as estrelas de outros países: “Você pode ter um piloto chinês ou japonês com grande potencial, qualidades estelares e equipes que gostariam de testá-las para uma única corrida em um terceiro carro.”

Com referência a suas próprias chances como terceiro piloto, Andretti explicou: “Eu mesmo sou o melhor exemplo. Colin Chapman me deu a oportunidade de competir por um time de ponta em um carro competitivo, então eu marquei a pole com o terceiro carro.”

Ele então lembrou sua primeira vitória com a Ferrari: “Eu também ganhei minha primeira corrida em uma terceira Ferrari na África do Sul. O que quero dizer com isso é que realmente minha carreira começou. Competição é competição e você tem que pensar no quadro maior”.

“Estamos sempre procurando novas maneiras de promover a Fórmula 1 e alcançar novos fãs, o esporte poderia se beneficiar disso, não apenas nos Estados Unidos, mas também em outros países”.

O obstáculo para tal conceito é que as equipes menores sofreriam em termos de resultados e até de exposição, o que Andretti reconheceu, mas argumentou: “Se você não abordar isso com uma mente aberta, nada melhorará, você tem que tentar todas as chances de fazer as coisas acontecerem”.

“Se a Fórmula 1 se tornar mais popular por causa disso, até mesmo as pequenas equipes se beneficiarão, pois terão maiores chances de atrair patrocinadores maiores.”

Com relação aos pontos do campeonato e ao ganho financeiro que vem com o aumento da exposição, Andretti afirmou: “Então, não dê pontos para o carro convidado”, concluiu.