Ayrton Senna é tema de mestrado na USP

Há dois anos, o dia 1º de maio foi marcado por uma série de homenagens ao piloto Ayrton Senna, que morreu nesta data no GP de San Marino de F-1. A comoção, mesmo dez anos após a tragédia na Itália, foi uma das inspirações para um trabalho de mestrado que foi completo após três anos de estudos na Universidade de São Paulo.

A dissertação, “Ayrton Senna e o Jornalismo Esportivo”, foi apresentada na última semana na “Escola de Comunicações e Artes”, da USP, de autoria do jornalista Rodrigo França e orientado pelo Professor Dr. Luiz Fernando Santoro. A banca ainda contou com os doutores Pascoal Tambucci e José Coelho Sobrinho. A partir desta semana, o trabalho fica à disposição na biblioteca da maior universidade do país.

O estudo analisa os mecanismos do jornalismo esportivo, uma área de mídia que cresce em importância na sociedade global, como em eventos que envolvem bilhões de pessoas e dólares, como o caso dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de Futebol e a Fórmula-1.

E é justamente o automobilismo o foco da dissertação, que observa a importância do mito e ídolo Ayrton Senna e o papel da mídia na construção do herói e de sua necessidade de fomentar esta imagem. O caso de Senna também envolve vários outros fatores, como o próprio momento político e econômico do país naquele período pós-ditadura militar, em que o piloto representava a imagem do Brasil que dá certo no exterior, em uma época em que o futebol perdera esta função, com os fracassos das Copas de 1974 a 1990.

Outros pilotos também tiveram suas carreiras fortemente analisadas pela mídia esportiva, começando com Emerson Fittipaldi, passando por Nelson Piquet, Rubens Barrichello e as recentes promessas Felipe Massa e até Bruno Senna, sobrinho de Ayrton. Mas, segundo França, que trabalhou no Jornal da Tarde, na Folha de S. Paulo e atua como jornalista especializado em automobilismo, é a cobertura jornalística da carreira de Ayrton Senna que o melhor exemplo da estreita relação entre a mídia esportiva e sua necessidade de ídolos.

Por meio de depoimentos de diversos profissionais da área jornalística e acadêmica, análise dos jornais, revistas e reportagens de TV da época e atuais, a dissertação tenta desvendar esta relação entre o jornalismo e seu herói, incluindo a dificuldade da própria sociedade em aceitar a perda, como mostrou a morte de Senna, que teve funeral digno de Chefe de Estado.

A forma como sua imagem permanece mítica em nossos dias, e nisso a participação correta na área social, por meio do Instituto Ayrton Senna, mostra que o tema permanece atual.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *