Coluna Indy: O porquê que existe a CART e a IRL

As festas de fim-de-ano estão chegando, e sempre sobra um tempinho á mais para escrever bem como para lêr. Muitas pessoas acompanham as principais categorias do automobilismo internacional á poucos anos, com o advento da Internet que foi um fenômeno presente na vida das pessoas de uns 5 anos para cá, até mesmo por conta da cobertura televisiva, algo que só está bastante difundido no Brasil há uns 30 anos para a F-1 e apenas 15 anos para a Indy. Muita gente é jovem e não tinha idade o suficiente para se lembrar, ou mesmo começou á acompanhar automobilismo á poucos anos, mesmo já tendo uma certa idade madura.

Como esses acontecimentos que vou escrever nesta coluna já se passaram há pelo menos 7, 8 anos, e outros acontecimentos datam de 25 anos atrás, ou quase 50 anos, muitos não sabem e tem dúvida sobre o motivo real do porquê que existem duas categorias de monoposto de origem americana.

A pergunta que muitos fazem: Porquê existe CART e IRL?

Para quem é fanático por automobilismo, e já andou pesquisando muito sobre o esporte na Internet, certamente deve saber um bocado sobre essa história, mas para quem apenas acompanha sem se aprofundar muito, aqui vai um bom texto em português explicando as razões para a existência de duas categorias internacionais de monopostos com base nos EUA.

Para entender os acontecimentos, e o porquê tudo isso foi acontecendo dessa forma, é bom entrar um pouco na própria história do automobilismo americano de monopostos.

Alguns historiadores americanos de Fórmula Indy consideram o ano de 1909 como o do primeiro campeonato nacional (americano) de monopostos. No mesmo ano foi inaugurado o Indianapolis Motor Speedway, o primeiro autódromo dos EUA. Dois anos depois as 500 Milhas de Indianapolis nasceram, e sendo uma das etapas do campeonato nacional de automobilismo dos EUA ganhou logo fortíssima tradição e prestígio. Não demorou muito para que os carros que competiam em Indianapolis fossem chamados de “IndyCars”, com o nome “Indy” baseado no nome de Indianapolis. Logo os americanos passaram á chamar a própria categoria de Indy, já que nela competiam os “Indianapolis Cars”, ou os “IndyCars”.

De 1909 até 1955 a Fórmula Indy foi organizada e regida pela “AAA” (American Auto Association, Associação Americana de Automóveis). Nessas décadas era um campeonato essencialmente nacional, não havia nenhuma divulgação da categoria fora dos EUA, apenas carros americanos, motores americanos, pneus americanos, pilotos americanos e pistas americanas integravam o campeonato. Nos EUA não havia nenhuma fama para os GrandPrix europeus dos anos 20, 30 e 40, bem como para a recém nascida F-1 dos anos 50, pois a Indy e a NASCAR (na época ainda chamada nos EUA apenas de StockCar) ocupavam todo o espaço do público americano.

Em 1955 dois fatos mudaram o rumo da história: O primeiro ocorreu em plena 500 Milhas de Indianapolis daquele ano: O bicampeão da prova, Bill Vukovich, um dos pilotos mais populares da Indy nos EUA, sofreu um gravíssimo acidente na reta oposta, seu carro (um daqueles “Roadsters” de motores dianteiro) decolou e capotou fora da pista, matando o piloto. Poucas semanas depois o segundo fato, o terrível acidente nas 24 Horas de Le Mans, na qual uma Mercedes-Benz de esporte-protótipo capotou e explodiu sobre o público na reta principal, matando mais de 90 pessoas e ferindo mais de 100. As repercussões desse acidente foram enormes na época, a Suíça proíbiu o automobilismo em seu território, enqüanto França e Alemanha suspenderam o esporte por alguns meses em seu território. A Espanha manteve uma proibição igual á da Suíça que durou 10 anos, enqüanto que nos EUA a repercussão atingiu a “AAA”.

Todos condenavam a existência de um esporte “assassino” como o Automobilismo, a repercussão na opinião pública foi enorme, até o Papa Pio XII se pronunciou sobre o acidente de Le Mans. A Mercedes-Benz saiu com a imagem tão manchada do episódio que se retirou de todas as competições esportivas por mais de 30 anos. Com tanta má imagem e pressão, a “AAA” que era apenas uma espécie de “Automóvel Clube” dos EUA decidiu também deixar as competições, cuidando apenas de eventos de automóveis comuns, de passeio.

O campeonato de IndyCars estava ameaçado de extinção por conta dessa decisão da federação que sempre a regeu e organizou. Até que alguém decidiu fazer alguma coisa para salvar a categoria. Esse alguém era Tony Hulman, que 10 anos antes, logo que a 2ª Guerra Mundial acabou, comprou o Indianapolis Motor Speedway e passou á organizar as 500 Milhas de Indianapolis junto com a “AAA”. Sem a “AAA”, Hulman decidiu fundar uma federação, a “USAC” (United States Auto Club) para organizar o campeonato que incluía a Indy500. Agora a principal prova do calendário bem como todo o campeonato eram organizados por um só homem: Tony Hulman.

Enqüanto ele esteve vivo, comandou a Fórmula Indy dando estabilidade e crescimento á categoria nos EUA. Nos anos 60 a televisão chegou fazendo ótima cobertura da categoria para o público americano, bem como as primeiras corridas fora do território americano foram realizadas: No final dos anos 60 no Canadá, em 1971 na Argentina e em 1978 duas provas na Inglaterra. Grandes nomes da história da Indy surgiram no período da USAC, como o texano A.J.Foyt, o ítalo-americano Mario Andretti, os irmãos Unser (Al Unser e Bobby Unser) do Novo México, Gordon Johncock, Johnny Rutherford, Mark Donohue, o californiano Tom Sneva, entre outros.

Nos anos 60 as 500 Milhas de Indianapolis se tornaram tão atraentes que todos os grandes nomes da F-1 de então chegaram á competir lá, como a Lotus, Jim Clark, Graham Hill, Jackie Stewart, Denis Hulme, Dan Gurney, e vários outros. Nos anos 70 a Indy passou á competir somente em circuitos ovais de asfalto (até o final dos 60 eram comuns pistas ovais de terra-batida, as chamadas “Dirt Tracks”), de 1971 até 1976 todos os eventos da Indy foram em ovais, porém foi justamente nessa época na qual começaram á surgir duas correntes diferentes dentro da Indy. Uma que defendia a Internacionalização da categoria, até pelo potencial que ela tinha. Esses defensores da exportação da Indy eram Dan Gurney (que chegou á competir na F-1 nos anos 60 e era chefe-de-equipe na Indy dos anos 70), Roger Penske (chefe de equipe na F-1 em meados dos anos 70 que retornou á Indy), Pat Patrick (dono da equipe STP Patrick, de Gordon Johncock), Mario Andretti (grande ídolo do automobilismo americano de então, campeão da F-1 em 1978) e muitos outros. Porém havia a outra corrente, que defendiam uma Indy essencialmente americana, como o texano A.J.Foyt, reconhecidamente um dos melhores pilotos do automobilismo americano em toda a sua história, mas que sempre se recusava á ir competir fora da América, em uma postura muito nacionalista. Foyt estava do lado do pessoal do Indianapolis Motor Speedway, essencialmente de Tony Hulman e família.

A questão da Internacionalização não foi o dogma central que deu origem á discórdia. Haviam muitas outras questões internas e operacionais na Indy/USAC que estavam deixando os chefes-de-equipes cada dia mais insatisfeitos, já em 1973, 74 era possível perceber alguns pontos conflitantes entre eles, dirigentes da USAC, do IMS (Indianapolis Motor Speedway), família Hulman, A.J.Foyt versus chefes-de-equipes da CART que já tiveram alguma passagem pela Fórmula 1.

Tony Hulman morreu em 1977 de problemas de saúde. O “homem forte” da Indy deixou um vácuo que logo na seqüencia foi muito bem aproveitado pela turma de Dan Gurney, Roger Penske, Pat Patrick e outros. Em 1978 tramitaram todo um processo de fundação de uma outra entidade, rival da USAC, para organizar a Fórmula Indy, em dezembro de 1978 anunciaram a criação da Championship Auto Racing Teams, a CART.

Em 1979 houveram dois campeonatos de Fórmula Indy, realidade igual á de hoje. O mais “forte” era o organizado pela CART, que logo ganhou a adesão da maioria absoluta dos chefes de equipe e promotores de corridas. Rick Mears da Penske foi o campeão. O campeonato mais “fraco” era o da USAC, que logo ganhou a deserção da maioria das equipes e dos promotores de corridas, e o texano A.J.Foyt foi o campeão correndo praticamente sozinho, já que todos os outros competidores eram de equipes muito fracas.

Terminado o ano de 1979, muitas batalhas na justiça americana se seguiram entre a CART e a USAC, mas a USAC reconheceu uma derrota: A de que não poderia mais organizar o campeonato de Fórmula Indy, que isso realmente foi vencido pela recém-criada CART. Mas a USAC bateu pé firme e prosseguiu organizando as 500 Milhas de Indianapolis. Nada mais natural para uma entidade que foi fundada pelos mesmos donos do autódromo.

E assim vieram os anos 80, a década na qual a Indy, agora sob a tutela da CART, iniciaram o seu processo de Internacionalização. Comandada de maneira totalmente democrática por todos os chefes-de-equipe que possuíam carros no campeonato (no caso, os 25 melhores carros), não aconteceriam novamente reclamações por atitudes boçais dos dirigentes da USAC. A categoria cresceu, atraiu patrocinadores de peso (Pennzoil, Marlboro, Budweiser, Valvoline, Miller, etc), atraiu campeões mundiais de F-1 dos anos 70 (Emerson Fittipaldi e Mario Andretti), passou á ter cobertura de TV fora dos EUA (no Canadá, México, Brasil, Austrália, Japão e Europa), e quando a década se encerrou, havia produzido o primeiro campeão não-americano de toda a história de campeonatos de Indy: Emerson Fittipaldi, em 1989. A Indy começava á viver seu auge, pois já estava se tornando um produto de exportação forte, capaz de rivalizar com a F-1. Montadoras entraram na categoria de olho no mercado americano, como Chevrolet, Ford, Porsche e Alfa Romeo. Estas duas últimas fracassaram. Até a Ferrari chegou á montar um protótipo para a Indy em 1985, apenas como instrumento de pressão contra a FIA.

Porém no mesmo ano de 1989 um acontecimento passou quase desapercebido pela maioria do público, mas que viria á influenciar o futuro da Fórmula Indy até hoje: O neto de Tony Hulman, Tony George, passou á comandar o IMS (Indianapolis Motor Speedway), com planos super ambiciosos.

Chegaram os anos 90, e a primeira metade da década foi o auge da Fórmula Indy. Campeões mundiais de F-1 tiveram experiências na F-Indy (Piquet se acidentou nos treinos da Indy500 de 1992, mas correu em 1993, Nigel Mansell disputou a F-Indy e foi campeão em 1993, Ayrton Senna testou um carro da F-Indy no fim de 1992, enqüanto Emerson Fittipaldi e Mario Andretti ainda eram presenças na categoria), espaço na mídia era aberto para a Indy, que se tornava um excelente produto. A Fórmula Indy, regida pela CART há mais de 12 anos já era Internacionalizada, corria nos EUA, Canadá e Austrália, e era assistida por quase 70 países, bem como haviam pilotos nascidos em mais de 10 países competindo na Indy. Isso chamou a atenção de um certo Bernie Ecclestone, chefão da parte comercial da Fórmula 1, pois ficou preocupadíssimo que a F-Indy roubasse espaço da F-1.

Ao mesmo tempo Tony George procurava colocar seus ambiciosos planos em prática. Conseguiu trazer a NASCAR para correr no IMS pela primeira vez na história após mais de 45 anos de existência da StockCar americana. Bem como tentava de todos os métodos ter algum espaço dentro da direção da CART, pois afinal aquela categoria foi durante muito tempo formada e regida por sua família, e o nome “Indy” era derivado do circuito de sua propriedade.

George se achava no direito de ter a Indy para si também.

Mas como ele não era chefe de equipe, não poderia ter uma das 25 franquias da CART. Mas ainda haviam pessoas favoráveis á uma Indy americana, mesmo em plena década de 90, em plena era da globalização que tomou conta do mundo. Não seria o caso de Tony George, mas era o caso de algumas pessoas na qual ele buscou apoio, principalmente quando surgiu a oportunidade de fazer algo contra a CART. Certamete um telefonema de Bernie Ecclestone iniciou todo o processo.

Com Nigel Mansell, então campeão-mundial de F-1 correndo na F-Indy, com Ayrton Senna, melhor piloto da F-1 de então testando um F-Indy, com Nelson Piquet, uma das maiores estrelas da F-1 dos anos anteriores disputando a principal prova da F-Indy, e com dois ex-campeões da F-1 dos anos 70 ajudando a divulgar a categoria, qual dirigente comercial desta mesma F-1 não se sentiria ameaçado? Ainda mais em uma época na qual as corridas de F-1 mais estavam se assemelhando á autoramas, tamanha a dimensão dos dispositivos eletrônicos que tomavam conta dos carros, bem como a falta de competitividade por conta do predomínio da Williams. As corridas de F-Indy eram muito mais atraentes pela competitividade, e isso era também causado pela limitação tecnológica que sempre vigorou no automobilismo americano, cuja filosofia é diferente do automobilismo europeu, que ultra-valoriza os carros. Nos EUA qualquer candidato á diretor de marketing percebe que o que chama atenção do público são os pilotos, e não a aerodinâmica dos carros.

Secretamente Bernie Ecclestone ofereceu uma quantia de alguns milhões de dólares á Tony George, ambos negociaram durante os anos de 1993, 1994 e 1995 para concretizar o “negócio”, que tinha como alvo a CART. Ao mesmo tempo outras montadoras entravam na categoria dos chefes de equipe, a Mercedes-Benz, Honda e Toyota já estavam lá, bem como a Firestone já se preparava para o debut em 1995 calçando algumas equipes.

A CART crescia assustadoramente, aqui no Brasil já haviam transmissões da F-Indy/CART desde 1986 pela Band, passou pela Manchete (1993-94) e foi parar no SBT em 1995, em pleno horário nobre nos domingos á tarde. O Brasil havia perdido Ayrton Senna, e alguma coisa estava sendo feita para que os brasileiros tivessem alguma razão para continuar acompanhando automobilismo.

Ecclestone tinha o interesse em parar o crescimento da CART. Tony George tinha o interesse em recuperar a posse do campeonato de F-Indy que sua família perdeu no final dos anos 70. O interesse dos dois se juntou, e Ecclestone colaborou para que George fundasse um outro campeonato de Fórmula Indy, rival á CART. Assim, em junho de 1995 foi anunciada a criação da Indy Racing League, que iniciaria suas atividades com o campeonato de 1996, o primeiro da história da IRL. Esse novo torneio não contou com equipes ou pilotos importantes, apenas a equipe de A.J.Foyt saiu da CART e foi para a IRL por questão de antipatia á CART que Foyt sempre nutriu.

Mas o grande trunfo da IRL é que as 500 Milhas de Indianapolis estavam em seu calendário, afinal George era o dono do IMS e da IRL. A CART assim perdia Indianapolis para sempre, pois afinal, teve que brigar durante alguns anos do final dos anos 70 e início dos 80 para que a prova de 500 Milhas pudesse ser válida pelo seu campeonato. A verdade é que a CART nunca foi muito bem-vinda no IMS, e que os donos do autódromo só engoliram a CART pois Tony Hulman havia morrido, e Tony George ainda não estava pronto para comandar os interesses do autódromo, e da família.

Em 1996 começou a fase em que haviam dois campeonatos de Fórmula Indy. A F-Indy/CART, com as principais equipes, pilotos, fornecedores, eventos, e a F-Indy/IRL, então com pilotos e equipes fracas, mas com as 500 Milhas de Indianapolis em seu calendário.

Ao mesmo tempo um novo processo judicial dos donos do IMS contra a CART nos EUA dizia respeito ao nome “Indy”. Após alguns meses nos tribunais ficou decidido que o nome “Indy” era de propriedade dos donos do Indianapolis Motor Speedway, pelo fato do nome ter sido originado de uma propriedade deles. A CART, que batizava seu campeonato de então como “PPG IndyCar World Series” teve que mudar seu nome para 1997, chamando o torneio de “Fedex/CART World Series”. PPG e Fedex eram patrocinadores do campeonato na época.

A IRL ganhava os direitos exclusivos sobre o nome “Indy”.

Começou essa “batalha” que já dura 8 anos. O que seria mais forte? O Campeonato (regido pela CART), ou as 500 Milhas de Indianapolis (regido pela IRL)?

Passou mais 5 anos e o quadro mudou pouco. A CART ainda era o campeonato forte, tinha as principais equipes, os pilotos mais famosos, os fornecedores de motores, enqüanto a IRL até que crescia dentro dos EUA, mas ainda reunia pilotos e equipes de “segunda categoria”, não tinha nenhuma grande montadora envolvida de fato na IRL, bem como sobrevivia e crescia apenas ás custas da tradição das 500 Milhas de Indianapolis, prova que existia há 90 anos.

Mas depois do ano 2000 as coisas começaram á mudar. A IRL atraía o público americano com um marketing mais eficiente, com uma categoria mais competitiva, competindo somente em circuitos ovais, e normalmente com vários pilotos americanos vencendo (coisas que parte do público ianque adora ver). A divulgação de patrocinadores através da IRL já era maior, por conta das 500 Milhas de Indianapolis, tanto que Chip Ganassi e Penske foram para lá em 2000 e 2001. Ficaram surpresas com o retorno que seus patrocinadores tiveram, e não hesitaram em se mandar de vez para a IRL, já que a CART havia parado de crescer há alguns anos. Ecclestone conseguiu o que queria para poder comercialmente firmar na cabeça das pessoas que a F-1 era a “categoria máxima do automobilismo mundial”.

Agora George começava á conseguir o que queria: Fazer com que o IMS voltasse ao comando da Fórmula Indy. Equipes fortes se mandaram para a IRL (Penske, Chip Ganassi e Mo Nunn em 2002, Rahal e Andretti-Green em 2003), pilotos famosos foram de vez para a IRL (Gil de Ferran, Helio Castroneves, Tony Kanaan, Dario Franchitti, Kenny Brack, Scott Dixon e outros), bem como os fornecedores de motores da CART também rumaram para a IRL (Honda e Toyota em 2003). Até as redes de TV dos EUA cederam á tentação da IRL, a ABC deixou de transmitir a CART em 2002 para passar as demais provas do campeonato da IRL, e a ESPN, que antes de 2002 nunca havia dado nenhum destaque á IRL, deixou á CART e á partir desse ano só mostra a IRL.

Promotores de eventos também enxergaram a atração maior á IRL. O primeiro evento de tradição á se juntar á IRL foram as 200 Milhas de Phoenix, em 1996, ainda no 1º ano do campeonato. Passou-se mais 4 anos até que provas como as 300 Milhas de Miami (em Homestead) e as 300 Milhas de St.Louis (em Madison) fossem parar na IRL, logo em 2002 as 225 Milhas de Nazareth e as 500 Milhas de Michigan foram para a IRL (a de Michigan virou uma corrida de 400 Milhas na IRL), igualmente o circuito de Fontana passou á receber evento da IRL nesse mesmo ano, com as 400 Milhas da Califórnia, e em 2003 as 300 Milhas do Japão (em Motegi) se juntaram á IRL. Para 2004 o circuito de Milwaukee fará parte do calendário da IRL, com uma prova de 200 Milhas em Julho.

E nesses últimos 3 anos é isto o que estamos assistindo: A vitória pessoal dos donos do Indianapolis Motor Speedway, consagrando a tradição da corrida de 500 Milhas á ponto de fortalecer um campeonato (aquele que está do lado da Indy500) e ir destruindo um outro (aquele que já nasceu contrário aos donos do circuito). A IRL vence, enqüanto a CART perde.

A CART insiste em existir pois ainda há pessoas que integram esta categoria que não querem dar o braço á torcer para os donos de Indianapolis. Mas a categoria está fraca, e esse campeonato que um dia foi chamada de Fórmula Indy está há poucos meses de morrer de vez (leiam minha coluna “Contagem regressiva para o fim da CART” que fala sobre isso). Enqüanto não tinham a oposição de um campeonato dos donos do IMS a CART crescia voluptuosamente, mas hoje ela não é mais necessária á ninguém, somente á aqueles que a integram.

Já a IRL passou á se chamar IndyCar Series em 2003, hoje tem 3 fornecedores de motores (Honda, Toyota e Chevrolet), metade dos eventos mais tradicionais da F-Indy (Indianapolis, Michigan, Fontana, Nazareth, Homestead, Texas, Chicago), 5 grandes ex-equipes da CART (Penske, Chip Ganassi, Andretti-Green, Rahal e MoNunn), tem uma categoria de base (Infiniti Pro Series), além de cobertura nos EUA pela rede ABC e pela ESPN. No Brasil em 2004 terá cobertura da BAND e da SPORTV. Hoje é o campeonato de Fórmula Indy mais forte, mesmo competindo somente em ovais, embora Tony George já decidiu que á partir de 2005 a IRL correrá também em circuitos mistos. Quando a CART acabar, certamente a IRL irá crescer mais e poderá fazer uma oposição mais forte á NASCAR nos EUA e á F-1 no resto do mundo.

Um forte abraço á todos, e não deixem de visitar o espaço de campeonatos de GrandPrix2 do F1Mania.net:

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