Rally de Monte Carlo abre a temporada 2018 do WRC

Prova é a mais antiga do calendário do Mundial de Rally; é disputada desde 1911, antes mesmo do famoso GP de Fórmula 1

No que você pensa quando se fala do Principado de Mônaco? Pois é, é impossível dissociar a imagem da cidade-estado do Grande Prêmio de Fórmula 1, disputado anualmente nas ruas de Monte Carlo desde 1929. Mas o que nem todo mundo sabe é que já tinha gente acelerando em Mônaco muito antes disso.

Na verdade, o Automobile Club de Monaco começou a criar a fama do Principado graças ao Rallye Automobile Monte-Carlo, realizado pela primeira vez em 1911 (justamente com o objetivo de transformar aquela pequena porção da Europa em um destino turístico internacionalmente conhecido).

O rally ainda existe: será disputado agora entre os dias 25 e 28 de janeiro pela 86ª vez na história. É a verdadeira joia do calendário do Mundial de Rally, o WRC, e não por acaso tem a honra de abrir o campeonato. A largada será na noite desta quinta-feira na Praça do Cassino, um dos principais cartões postais de Mônaco.

Serão quatro dias percorrendo as estradas estreitas da região, de noite e de dia, em um trajeto que chega a 388 km no total. O favorito, como não poderia ser diferente, é o atual campeão Sébastien Ogier, que já ganhou cinco vezes em Mônaco (as últimas quatro de forma consecutiva).

É o segundo maior vencedor da prova, atrás apenas do compatriota Sébastien Loeb, que soma sete conquistas.

O favoritismo de Ogier tem por trás não só o reconhecido talento do piloto, mas também a reestruturação da equipe M-Sport, que passou a receber apoio oficial da Ford (no ano passado, foram campeões na cara e na coragem). Em 2018, a montadora passa a oferecer desenvolvimento de chassi, motor e pacote aerodinâmico. Um esquema mais patrão.

É o retorno oficial da Ford ao WRC (de onde estava afastada desde 2012).

Mas Ogier não é a única atração da prova. O piloto de Fórmula 1 Carlos Sainz Jr. vai fazer sua ‘estreia’ no WRC, por assim dizer. Foi escalado para pilotar o carro ‘abre-trilha’, que como o próprio nome deixa claro percorre e libera os trechos antes da turma que disputa o campeonato acelerar por lá.

Sainz Jr. vai guiar um Renault Mégane R.S. nos 13 km da especial La Cabanette-Col de Braus, marcada para domingo. Este trecho do rali é realizado nos Alpes Marítimos, a 1.400 metros do nível do mar, e a pilotada vai descendo pela estrada montanhosa em zigue-zague, cheia de cotovelos ou grampos (como se diz no esporte a motor para curvas de 180 graus).

A paisagem é de cair o queixo.

Não custa dizer: além de piloto de Fórmula 1, Sainz Jr. é filho do tricampeão do Rallye Automobile Monte-Carlo, Carlos Sainz (ganhou em 1991, 1995 e 1998). Sainz Jr. repete sempre que escolheu as competições de asfalto pra levar a vida justamente para evitar comparações com o pai, que é um grande ídolo do off-road (acabou de vencer o Rally Dakar 2018).

O trajeto do rally desta semana difere bastante do utilizado no ano passado: há 50% de trechos novos. Um dos principais desafios da prova é lidar com as constantes mudanças de condições do piso. Embora seja disputado no asfalto (o que em teoria faria de Mônaco um rali muito rápido), o clima do inverno europeu pode trazer finas camadas de gelo a qualquer momento e, quem bobear, dança.

Toda a ação do WRC em Mônaco será exibida pela Red Bull TV, que prepara um programa especial diário trazendo os melhores momentos, entrevistas, bastidores e curiosidades do rally, sempre às 19h no horário de Brasília (depois, fica disponível no formato on demand, podendo ser assistido onde e quando quiser).

E a cereja do bolo: no sábado, haverá transmissão ao vivo de uma das especiais, a partir das 9h45 da manhã no Brasil. Imperdível.