Ar rarefeito é um dos desafios do WRC no México

Prova no entorno da cidade de León deve chegar a quase 3 mil metros de altitude

Como se não bastasse a mudança brusca de temperatura, saindo da neve na Suécia para encarar mais de 30ºC no México, os pilotos ainda precisam lidar com mais um desafio em terras mexicanas: a altitude. O entorno da cidade de León, onde são realizadas as etapas do Rally do México, leva os carros a 2.737 metros em relação ao nível do mar.

É o ponto mais alto da temporada.

Embora os modelos atuais utilizem motores turbo, que reduzem os efeitos da altitude se comparados aos aspirados, os organizadores chutam alto e mesmo assim estimam perda de potência na casa de 20%.

Isso significa que os erros custam mais caro, que a retomada de velocidade é bem mais lenta. “Vamos ter de cuidar pra não exagerar no estilo de pilotagem”, alerta Kris Meeke, da Citröen.

Os carros do WRC passaram por uma profunda transformação técnica em 2017 e ainda não enfrentaram condições como estas do Rally do México. Como as equipes são proibidas de treinar fora da Europa, o máximo que elas conseguiram fazer para imitar os efeitos foi andar nas montanhas de Granada, na Espanha, mas em um clima bem mais ameno.

O trabalho no dinamômetro também ajudou a traçar referências. Mas de resto é um voo cego mesmo. Especialmente para a Toyota, que está de volta ao WRC depois de passar 17 anos afastada. Não custa lembrar, eles venceram a etapa mais recente, o Rally da Suécia, o que garantiu a liderança do campeonato ao finlandês Jari-Matti Latvala.

“Nós somos uma nova equipe, indo para o México pela primeira vez. Todos os nossos adversários têm bastante experiência em ralis nessas condições, mas nós não temos. O que a gente fez foi um trabalho de simulação, mas não dá pra saber exatamente como o carro vai se comportar”, destaca Latvala.

Essa sensação de que o Rally do México é o inferno na terra é meio geral entre pilotos e equipes da categoria.

“Eu não tenho dúvidas de que é um dos eventos mais difíceis do calendário, por causa da altitude e da diferença climática absurda em relação aos primeiros ralis do ano”, confirma Michel Nandan, chefe de equipe da Hyundai. “Essas condições vão levar os pilotos e os carros ao limite”, acrescenta.

Quem se sente muito bem por lá, apesar de tudo, é o francês Sébastien Ogier, piloto da Ford e atual vice-líder do campeonato. O Rally do México marcou a estreia dele no WRC, em 2008. “A gente sempre tem uma recepção muito calorosa por parte dos fãs mexicanos, que são realmente apaixonados pelo esporte”, elogia Ogier.

O Rally do México de 2017 terá início na noite de quinta-feira, 9 de março, com a largada promocional no Zócalo, o centro histórico da Cidade do México. Mais de 200 mil pessoas são aguardadas para a apresentação dos carros e dos pilotos. De lá, eles partem para León, a 400 km da capital, onde fica o parque de apoio do rali.

Os fãs do WRC no mundo inteiro poderão acompanhar o Rally do México por meio da extensa cobertura da Red Bull TV. Haverá programas diários trazendo um resumo do rali, além da exibição ao vivo de uma das especiais de sábado, 11 de março. Essa transmissão está marcada para 13h50 no horário brasileiro.