Grid das 24 Horas de Le Mans perde estrelas da Fórmula 1

Tradicional prova acontece neste sábado na França e o calendário da F-1 impede que pilotos como Nico Hulkeberg possam estar nos dois grids

 

Rodrigo França, em Le Mans (França), Especial para o LANCE!.

 

O GP de Mônaco de Fórmula 1, as 500 Milhas de Indianápolis da IndyCar e as 24 Horas de Le Mans formam a tríplice coroa do esporte a motor. Mas, então, porque neste ano o GP da Europa, que será realizado no novo circuito de Baku, será disputado justamente no fim de semana da prova de longa duração na França?

Ninguém fala abertamente sobre o assunto, sobretudo pilotos e equipes, que temem represálias, mas a única explicação parece forçar a concorrência com as provas de maior tradição no automobilismo (Indy e Le Mans) justamente para impedir que suas grandes estrelas, os pilotos, possam acelerar nos três grandes eventos que compõe o “Grand Slam das pistas”.

A frustração dos que estão na F-1 no Azerbaijão é evidente, ainda mais após a conquista de Nico Hulkenberg em 2015, promovendo a primeira vitória da Porsche após seu retorno com equipe de fábrica nas 24 Horas de Le Mans. O alemão da Force India fez história ao ampliar o recorde de vitórias da marca na prova – são 17 triunfos ao todo.

Neste ano, porém, não poderá defender seu título – um dos carros favoritos à vitória é justamente o protótipo Porsche 919 Hybrid, que é conduzido também por um ex-F1, Mark Webber.

Oficialmente, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) lamentou a “coincidência de datas”.

– Fazer um calendário único sem um conflito não é possível. São 21 corridas de F-1, dez da Formula E, dez do Mundial de Endurance e 14 ralis – afirmou o presidente da FIA, Jean Todt.

Nos bastidores, acredita-se que, além da rica tradição de Le Mans, os atuais protótipos das 24 Horas são cada vez mais velozes, caso dos protótipos velozes de Porsche, Audi, Toyota e Robellion (todos da categoria LMP1, que chegam a mais de 340 km/h). O prazer de pilotar é igual ou até superior ao atual F-1, que ficou mais lento desde a introdução da nova era turbo, em 2014.

Isso acaba atraindo pilotos que podem pensar em fazer as duas categorias. Caso de Hulkenberg em 2015, e também de campeões mundiais como Jenson Button e Fernando Alonso. Os dois pilotos da McLaren já se manifestaram como potenciais pilotos nas 24 Horas de Le Mans, sendo que o espanhol, inclusive, já foi o responsável por dar a bandeirada em 2014.

– Tenho o desejo de um dia vencer em Le Mans – comentou Alonso.

Um dos organizadores do GP da Europa de F-1, Andrew Craig, disse à revista Racer que a ideia original da prova no Azerbaijão seria para o mês de outubro deste ano – mas evitou explicar se o motivo de troca de data era para bater com as 24 Horas de Le Mans (que tem sua data revelada sempre com um ano de antecedência).

– Sempre foi claro que o Bernie (Ecclestone) tem controle total do calendário e, apesar de nossa intenção ser levar a corrida de Baku para outubro, ele não quis e sentimos muito que haja esta coincidência com Le Mans – afirmou Craig, assim que o calendário da F-1 foi anunciado em outubro do ano passado, quatro meses depois da data das 24 Horas de 2016 já ter sido definida.

CURIOSIDADES

– A primeira corrida em Le Mans foi disputada em 1923;

– 60 carros estarão no grid das 24 Horas de Le Mans 2016;

– 180 pilotos inscritos;

– A maior vencedora da história é a equipe Porsche, com 17 triunfos;

– Em um único dia, o time vencedor percorre cerca de 5.400 km, o equivalente a sair de carro de São Paulo, ir até Recife e voltar no mesmo dia;

– Prost e Piquet no mesmo carro: os filhos dos campeões mundiais Alain Prost e Nelson Piquet vão dividir o protótipo da Rebellion com Nick Heidfeld;

– Mais de 300 mil pessoas são esperadas para o final de semana na pequena cidade francesa, que vê sua população triplicar nas 24 Horas de Le Mans. Boa parte fica acampada ao longo do circuito, que tem mais de 13 km de extensão;

– Uma das maiores tragédias do esporte aconteceu nas 24 Horas de Le Mans de 1955: 84 pessoas morreram após um acidente que atingiu diversos espectadores. A Mercedes, que vencia a corrida com Stirling Moss e Juan Manuel Fangio, se retirou da corrida e do esporte a motor, retornando apenas em 1989;

– Com os conflitos de datas entre Mônaco e Indy500 e o GP da Europa de F-1 com Le Mans, será cada vez mais difícil alguém bater o recorde de Graham Hill: o inglês é, até hoje, o único piloto a vencer na F-1 em Mônaco, Le Mans e a Indy500.