Audi encerra sua história na WEC com dobradinha e vitória de Lucas di Grassi

Corrida final da temporada 2016 do Mundial de Endurance marcou também o fim do ciclo das quatro argolas nas corridas de longa duração. Alemães fecham sua história com chave de ouro, recordes e hat-trick (pole, vitória e volta mais rápida)

A missão da esquadra da Audi na última etapa da temporada do FIA WEC era vencer as 6 Horas do Barein e fechar sua despedida das corridas de endurance com chave de ouro. Depois do anúncio de que se retiraria das competições de resistência, o foco da marca alemã, dona de 13 vitórias em 18 participações nas 24 Horas de Le Mans era encerrar o ciclo deixando sua marca.

A Audi conseguiu, pelas mãos do trio formado pelo brasileiro Lucas di Grassi, o francês Loïc Duval e o britânico Oliver Jarvis, que venceu de forma espetacular a prova barenita disputada no último sábado (19). O Audi R18 #8 completou 201 voltas e recebeu a bandeirada com 16s419 de vantagem sobre os companheiros de equipe Marcel Fässler, Andre Lotterer e Benoît Tréluyer, completando a festa da Audi com dobradinha em sua despedida.

Motivadíssimo para a prova, Lucas di Grassi não queria deixar a oportunidade escapar. E não deixou mesmo: cravou a pole position com direito à volta mais rápida da história da classe LMP1 no circuito de Sahkir; baixou o recorde da categoria durante a corrida fazendo a volta mais rápida e cravando todos os três melhores setores da prova. Para ele, sua melhor exibição no Mundial.

Largando da pole position, o Audi R18 #8 manteve a liderança até o final do primeiro terço de corrida, quando foi ultrapassado pelos companheiros de equipe após o pit stop. O carro de Lucas, no entanto, retomou a ponta na volta 104 após seu trio ter sido o único a apostar em uma parada “full-service” (troca de pneus, abastecimento e troca de piloto) durante um período de safety car virtual. A estratégia, aliada a um ritmo alucinante imposto por Di Grassi durante seu stint – cravando seguidamente a melhor volta da prova -, construiu boa vantagem para cruzar a linha de chegada em primeiro após as seis horas de disputa.

Foi uma exibição de gala. “Uma vitória carregada de significados e emoções. Foi a minha vitória mais importante no WEC e também a minha melhor performance na categoria nestes três anos. Pole, recorde da pista na classificação e na corrida, melhor stint da prova, melhor tempo em todos os setores”, enumerou. “Então sem dúvida esse desempenho mostrou o quanto eu estava motivado para levar a bandeira do Brasil e da Audi para o lugar mais alto do pódio”, afirmou.

Fazendo parte da esquadra das quatro argolas desde o final de 2012, Lucas passou a disputar a temporada regular do WEC em 2014. Em quatro participações nas 24 Horas de Le Mans, três pódios e o segundo lugar, justamente em 2014, igualando o melhor resultado de um piloto brasileiro na classificação geral da mítica prova de resistência.

Em 2016, o brasileiro, junto de seus companheiros, cravou três pole positions e venceu duas corridas. “Mostramos que evoluímos como trio de pilotos, tendo vencido duas vezes na temporada, e isso é ótimo. Naturalmente, estou triste que a Audi e a maioria de nós está deixando o WEC, que é uma grande família. Vou sentir falta das corridas longas e das pessoas também. Eu não era familiarizado com o endurance quando pilotei com a Audi pela primeira vez em 2012, e me apaixonei por isso. Vou sentir muita falta destes carros e da adrenalina deste estilo de disputa”, ressaltou.

O prêmio pelo desempenho foi fechar a temporada como segundo melhor trio do ano, atrás apenas dos campeões Romain Dumas, Marc Lieb e Neel Jani, da Porsche. Uma forma de concluir a disputa premiando a fabricante que acolheu o brasileiro apostando em seu potencial e o reconhecendo como um dos melhores do mundo na atualidade. “Eles (Audi) merecem, e a vitória foi uma consequência disso. O segundo lugar no campeonato acabou como uma recompensa: não é todo ano que a gente pode dizer que terminou dois campeonatos mundiais entre os três melhores – e com dois vice-campeonatos”, disse, referindo-se à Fórmula E, onde segue defendendo a Audi.

“É, sem dúvida, um ano para se orgulhar, agradecer e fechar esta história tão importante da Audi no endurance com chave de ouro, e fazer parte dela proporcionando a vitória derradeira. É uma mistura de sentimentos: estou muito feliz, muito satisfeito, mas ao mesmo tempo muito triste por fechar este ciclo no WEC com a Audi. Vou sentir falta de acelerar esta fera”, concluiu.

Lucas agora entra em um período de descanso para o fim do ano, e retoma as atividades de corrida com a terceira etapa da Fórmula E em Buenos Aires, Argentina, com a terceira etapa da categoria dos carros elétricos, que acontece em 18 de fevereiro.

Resultado – 6 Horas do Barein:
1-) Di Grassi/Duval/Jarvis (Audi R18) – 201 voltas
2-) Fässler/Lotterer/Tréluyer (Audi R18) – a 16s419
3-) Bernhard/Hartley/Webber (Porsche) – a 1min17s001
4-) Buemi/Davidson/Nakajima (Toyota) – a 1 volta
5-) Conway/Kobayashi/Sarrazin (Toyota) – a 1 volta
6-) Dumas/Jani/Lieb (Porsche) – a 3 voltas
7-) Imperatori/Kraihamer/Tuscher (Rebellion) – a 10 voltas
8-) Kaffer/Trummer/Webb (CLM P1/01) – a 14 voltas
9-) Brundle/Rast/Rusinov (Oreca-Nissan) – a 17 voltas
10-) Albuquerque/Gonzalez/Senna (Ligier-Nissan) – a 17 voltas

Classificação final do FIA WEC 2016 (Top-5 LMP1):
1-) Lieb/Jani/Dumas (Porsche) – 160 pontos
2-) Di Grassi/Duval/Jarvis (AUDI) – 147,5
3-) Conway/Kobayashi/Sarrazin (Toyota) – 145
4-) Hartley/Webber/Bernhard (Porsche) – 134,5
5-) Lotterer/Fässler/Tréluyer (AUDI) – 104

Via assessoria