Rally de Portugal: a joia dos 45 anos de história do Mundial de Rally

Prova está no calendário desde 1973, passando por absolutamente todas as transformações técnicas e esportivas do WRC

Parte do fascínio em torno do Mundial de Rally vem do simples fato de colocar os carros mais rápidos e os melhores pilotos para tirar finas de guard-rails, barrancos, penhascos, precipícios e todo tipo de obstáculo pelas trilhas de diferentes países. Mas convenhamos: não dá pra descartar, também, a bela e rica história do campeonato, que está completando 45 anos como competição oficial em 2018.

Foi em 1973 que finalmente organizou-se um calendário de provas pelo mundo: nascia o Mundial de Rally. O Rally de Portugal já estava lá quanto tudo isso aconteceu.

Inicialmente, os promotores decidiram lançar um mundial de marcas, e não de pilotos. As primeiras temporadas foram dominadas pelas fabricantes italianas Lancia, de Lancia Stratos HF, e Fiat, dona do Fiat 131 Abarth.

Em 1979, os pilotos conseguiram que a Federação Internacional de Automobilismo finalmente introduzisse pontuação e disputa pelo título também para eles. Ufa! E nessa turma havia mulheres, por que não? Em 1981, a francesa Michèle Mouton tornou-se a primeira, e única, mulher a vencer uma etapa do Mundial de Rally (na Itália).

Aquela foi uma década muito louca e cheia de transformações técnicas. Nesse sentido, não teve nada de “década perdida”. Em 1982, o Audi Quattro foi o primeiro carro de tração nas quatro rodas a vencer o campeonato. E o Mundial de Rally entrou na chamada era de ouro. O regulamento permitia que os carros do Grupo B fossem verdadeiras obras de arte da engenharia mecânica, atingindo potência e velocidades surreais. Nessa época, a categoria rivalizava fácil com a Fórmula 1 em termos de popularidade.

Mas é claro que vieram os acidentes, alguns fatais, e a FIA colocou ponto final na brincadeira. Em 1986, o Grupo B foi extinto, dando lugar ao Grupo A, de carros mais limitados tecnicamente, o que colocou os holofotes mais sobre os pilotos do que sobre as máquinas.

O finlandês Tommi Mäkinen entrou para a história como tetracampeão mundial entre 1996 e 1999. Mas isso não seria nada, nada mesmo, perto do que o francês Sebastien Loeb faria. Loeb ganhou o campeonato nove vezes seguidas, de 2004 a 2012. E quando decidiu parar de competir regularmente, já havia um xará da mesma nacionalidade prontinho para manter a escrita. Estamos falando de Sebastien Ogier.

Depois de cinco títulos seguidos, Ogier é o líder do atual campeonato, dez pontos à frente do belga Thierry Neuville. E pode bater um recorde neste fim de semana no Rally de Portugal, que será disputado até domingo, 20 de maio. Se ganhar outra vez, Ogier chegará à sexta vitória na prova, tornando-se o maior campeão da história do rali português.

No momento, ele está empatado com o finlandês Markku Alén.

“Claro que eu quero conseguir outra vitória, mas prefiro não pensar nisso agora”, comenta Sebastien Ogier. “É que, como líder do campeonato, eu tenho de largar primeiro, e isso não é bom no rali, já que as trilhas tendem a ficar mais rápidas a partir da segunda ou terceira passagem dos carros. Vou perder um tempo e, por isso, acho que minhas chance de ganhar são menores. Vou pensar no campeonato”, despista.

Se é só um blefe, você pode conferir por meio da cobertura completa da Red Bull TV, que exibe um programa diário sempre às 18h no horário de Brasília detalhando tudo o que está rolando em Portugal. Um dos atrativos é a transmissão ao vivo de um dos trechos do rali – neste caso, marcada para sábado, 19, às 10h45 da manhã.