ENTREVISTA: Gianluca Petecof fala sobre suas expectativas para chegar na F1 e o sonho de vestir as cores da Ferrari

Gianluca Petecof, jovem paulista de 15 anos, fará sua estreia na F4 alemã nesta semana no circuito de Oschersleben. O piloto da Academia Shell Racing também integra a Academia da Ferrari – junto com o brasileiro Enzo Fittipaldi na Prema. Petecof é o mais jovem brasileiro a correr de Fórmula 4.

Em entrevista exclusiva para a F1Mania, Petecof falou sobre sua preparação, objetivos, caminho até a F1 e claro, sobre o sonho de vestir as cores da italiana Ferrari.

F1Mania – Gianluca, esse ano você vai disputar a F4 italiana e alemã, dois campeonatos fortíssimos. Você chega na categoria com a idade mínima, 15 anos, o piloto brasileiro mais jovem a pilotar um F4. Como está sendo sua preparação para a estreia neste final de semana no circuito de Oschersleben, Alemanha?

“Estou chegando aqui como o brasileiro mais jovem a disputar um campeonato de Fórmula 4, e a preparação tem sido bem intensa mesmo. Muitos treinos, todas as pistas do calendário tanto na Alemanha quanto na Itália. Preparação fora das pistas também. Treinos físicos e mentais, deixando o corpo preparados para as corridas e também aprendendo todos os aspectos técnicos do carro.

“Vai ser a minha primeira temporada em monopostos, então aprendendo o máximo possível aí no que vou enfrentar esse ano. Então muito importante essa preparação, esse ano vai ser muito competitivo. Muitos pilotos de alto nível na minha categoria. São os dois campeonatos de Fórmula 4 mais fortes do mundo. Então essa preparação tem sido muito importante, muito intensa, tanto com o pessoal da Ferrari quanto da Prema. Então chegamos na primeira etapa muito preparado para os desafios”.

Gianluca Petecof (Shell Racing)
Foto: Bruno Gorski/ RF1

F1Mania – Uma boa preparação reflete em confiança dentro das pistas. Durante sua preparação, tudo ocorreu do jeito esperado? Ou ficou faltando algo que gostaria de ter “trabalhado”? Qual seu “nível” de confiança para os campeonatos na Europa, sabendo da dificuldade de adaptação Brasil x Europa?

“A preparação reflete sim em confiança dentro das pistas, eu acho que nosso primeiros treinos foram muito bons. Tivemos um desempenho melhor do que o esperado em todas as pistas, sempre bem confiante com o carro e me adaptando muito rápido a tudo que estava ao meu redor. No final terminamos os testes em Paul Ricard, uma pista nova para todos, sempre na frente tanto entre os meus companheiros de equipe quanto o restante do grid. Então acredito que isso foi um grande impulso pra gente começar muito confiante a temporada”. 

“Acho que consegui completar todo meu programa de trabalho dentro dos conformes, não ficou faltando nada. Conseguimos evoluir o máximo possível no quesito pilotagem e também no conhecimento do carro. Então acho que chego 100% para essa primeira etapa”.

“ Meu nível de confiança está muito alto. Com certeza é um campeonato muito difícil esse que vou encontrar na Alemanha, que vai ser a primeira etapa. Depois quando começar o campeonato italiano vai ser igualmente difícil. Muitos competidores já tiveram um ano na Fórmula 4. Então espero poder me adaptar rápido com esse ‘esquema’ de final de semana de corridas, são três corridas no final de semana, uma coisa nova pra mim. Então primeiro objetivo é se adaptar muito bem com isso (rodada tripla) e com certeza ter um desempenho bom desde o começo”.

Gianluca Petecof - Prema
Foto: Divulgação/ Prema Powerteam

F1Mania – Qual o “sentimento” de vestir as cores da Ferrari? O sonho de todo piloto.

“Realmente, um sentimento de orgulho. Uma grande oportunidade na minha carreira. Desde 2015 eu já tenho um grande apoio da Academia de pilotos da Shell Racing no Brasil, foi o primeiro grande suporte que eu tive na minha carreira. Então fazer parte da academia de pilotos da Ferrari é realmente um sonho se tornando realidade, estar em Maranello dentro da academia de pilotos onde também tem muitos pilotos com grande talento, que eu posso aprender muito. Tem pilotos desde a F4 até a F2, que é grande porta de entrada para a F1. Então esse ano tem o Charles Leclerc, que foi contratado pela Sauber para correr esse ano na Fórmula 1. Então realmente é um programa onde estou aprendendo muito, foi uma grande oportunidade que a Shell Racing me proporcionou. Com esse grande suporte desde o início, e poder chegar aqui hoje é uma honra. Agora é só trabalhar o máximo para colocar as cores da Ferrari, do Brasil e da Shell no alto do pódio”.

“Com certeza é o sonho de qualquer piloto. Poder ter esse suporte na carreira, de uma grande marca que é a Shell e também fazer parte de uma grande academia de pilotos. Existem diversas academias mas acho que a Ferrari é quem dá mais suporte para o piloto no caminho para a Fórmula 1.”

F1Mania – Sobre seu futuro, presumo que a F1 seja o objetivo maior. Resultados bons colocarão você na disputa por uma vaga dentro da maior categoria do automobilismo mundial. Estando dentro da Ferrari, você já ouviu alguma promessa sobre seu futuro na F1?

“Sobre meu futuro (na F1) com certeza. A F1 é o maior objetivo, é o objetivo de qualquer piloto. Principalmente fazendo parte de uma academia de pilotos de uma equipe de Fórmula 1. Acredito que esse futuro está muito bem traçado, tenho o planejamento de ir da F4 passando por todas as categorias de base até chegar na Fórmula 2, por exemplo, que é a categoria de entrada da Fórmula 1.

“Hoje em dia esse cenário das categorias de base está se ampliando cada vez mais, então as equipes estão prestando cada vez mais atenção e dando mais suporte aos pilotos para chegarem na Fórmula 1.”

“Sim, resultados bons são o que comandam esse trajeto. Eu desde o início pude conquistar meus objetivos tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos e agora na Europa correndo de kart, com ótimos resultados correndo no campeonato mundial. Então esse meu primeiro ano com os monopostos será uma ano de adaptação, com certeza um ano bem difícil com pilotos de alto nível. Mas meu objetivo é dar o meu melhor e poder conquistar bons resultados, conquistar meus objetivos para chegar lá na frente em condição de ter uma boa oportunidade.”

F1Mania – Na sua cabeça você já deve ter pensando no que seria necessário para chegar na F1, qual o caminho para percorrer até lá. Temos alguns brasileiros na F3, F4, com chances reais de chegar à F1, citaria o Sérgio Sette Câmara na F2 como um exemplo. Depois da F4, qual “escalada” para sentar em um carro de F1, considerando que você ainda tem 3 anos para chegar a idade mínima exigida na categoria, 18 anos.

“Sobre o futuro na Fórmula 1 é um pouco difícil dizer, porque ainda falta bastante tempo, ainda tem muita estrada até chegar lá. Tem outros pilotos mais velhos na minha frente, não só dentro da Ferrari mas nesse contexto geral. Até brasileiro, tem o Serginho Sette Câmara na F2 agora, quem sabe logo mais estará na F1. Então tem bastante estrada mas acho que a Ferrari e a Shell estão me dando o maior suporte possível para que conquiste esse objetivo”. 

“Esse caminho até a Fórmula 1 é bastante longo, então passando por todas essas categorias de base tem muita coisa envolvida, não só dentro da pista mas principalmente fora dela, então como eu disse, com esse suporte que eu tenho aos poucos vou tendo outras oportunidades, em outras categorias, tanto na Fórmula 3 quanto na Fórmula 2 e aí quem sabe o mais cedo possível ter a oportunidade de sentar em um carro de F1 pela primeira vez, então claro, é um longo caminho, é difícil dizer algo concreto até agora. Então vou procurar focar o máximo na minha temporada de Fórmula 4, para que no futuro eu tenha bons resultados também em outras categorias e chegue lá em cima. Por enquanto vou focar bastante, esse final de semana já tem a primeira etapa, então esse é o meu foco no momento”.

F1Mania – Queria fazer um “jogo rápido” com você (responda a primeira coisa que lhe vier a mente). Qual o momento mais marcante de sua carreira, positivamente?

“São dois, que são igualmente positivos. Que foram: meu top 5 no campeonato mundial de Kart. E recentemente fazer parte da Academia de Pilotos da Ferrari, receber a notícia dessa oportunidade foi realmente incrível. Coincidentemente, esses dois motivos foi proporcionado pela Shell Racing.

F1Mania – E negativamente?

“Momento negativo: Eu não tenho algo que venha em mente, de tão negativo. Claro algumas derrotas, alguns momentos que não atingimos o resultado esperado. Mas procuro aprender com os erros e momentos mais difíceis, deixar para trás e focar nos novos desafios.

F1Mania – Uma situação “dramática” que você passou em sua carreira nas pistas.

“Tiveram alguns (momentos). Por exemplo, minha primeira participação em corridas na Europa. Achei um ambiente muito competitivo, com alguns imprevistos. Minha temporada completa na Europa em 2016 foi um pouco conturbada. Conseguimos ser rápido mas faltava experiência nas corridas. Ou mesmo quando algo aconteceu fora do nosso controle e não conseguimos o resultado na pista. Eu acho que naquele ano foi muito marcante, principalmente pelo fim que ele teve. No Bahrain, no mundial de Kart, onde consegui a quinta colocação. Conseguimos colocar toda a experiência do ano, todo potencial do ano para conquistar esse grande resultado. Um ano onde disputei o paulista de kart no Brasil, consegui vencer, ao mesmo tempo estava tendo uma ano difícil na Europa. Mas no final do ano deu tudo certo e conseguimos colocar o resultado junto.”

F1Mania – Seu maior ídolo nas pistas.

“Maior ídolo nas pistas: Difícil não comentar do (Ayrton) Senna, por conta de toda imagem que ele teve. De todo o impacto que ele teve no mundo automobilístico não só no Brasil, mas em todos os países. Você vai no Japão, na Europa, ele é um grande ícone. Mas acho que eu diria o Sebastian Vettel, por tudo que ele representou na minha vida, principalmente quando eu estava começando andar de kart. Ele vencendo os títulos com a Red Bull. E agora representando a mesma marca, isso é muito legal. Tive a oportunidade de conversar com ele um pouco no GP do Brasil, no evento da Shell V-Power, ele representou muito no início da minha carreira e continua representando.”

Gianluca Petecof e Sebastian Vettel - GP do Brasil
Foto: Divulgação

F1Mania – Um fato para se esquecer, de sua vida dentro e fora das pistas.

“Um fato para esquecer… (pensativo) para mim já está esquecido. Se foi algo negativo… Acho que um momento importante dentro da pista a gente tem que lembrar, mas não fico guardando as coisas ruins. Procuro sempre focar no futuro, em coisas positivas porque daí que vêm as oportunidades.

F1Mania – Seu maior incentivador.

“Meu maior incentivador, desde o início, o cara que me deu o maior suporte, me ensinou muito do sei até hoje foi meu pai. Ele esteve comigo nos momentos difíceis, nos momentos de vitória. Ele realmente me deu aquela ‘mão’ que eu precisava para escalar cada degrau da minha carreira e não foi diferente agora nos monopostos. Ele sempre esteve comigo me dando todo o suporte que eu precisava nessa nova jornada, nesse novo capítulo da minha carreira. Foi a mesma coisa quando comecei na Europa, e até mesmo quando sai o Brasil para correr pela primeira vez. Ele sempre esteve comigo e é meu maior incentivador.

F1Mania – Uma mensagem aos torcedores brasileiros.

“Eu só posso agradecer aos torcedores brasileiros por todo o suporte. Acho que o Brasil está passando por um momento difícil no automobilismo, sem um representante na Fórmula 1. Então sou muito grato pelo apoio de vocês (torcedores). Muitos brasileiros passaram por momentos difíceis depois do acidente com o Ayrton Senna e agora de novo por não ter um brasileiro na F1. Tivemos brasileiro por 14 temporadas na Ferrari, primeiro com Rubinho (Barrichello) depois com (Felipe) Massa e agora não ter ninguém na pista é um pouco difícil. Mas temos pilotos com muito talento na Fórmula 2, Fórmula 3, então vamos torcer para que logo logo tenha um brasileiro na F1 e eu vou com certeza dar o meu melhor para representar o Brasil lá na frente. Mas continuo agradecendo muito o apoio de vocês. Obrigado pela torcida sempre, vamos ver o que essa temporada aguarda.”

Gianluca Petecof - Prema
Foto: Divulgação

 

A temporada da F4 alemã começa nesse final de semana em Oschersleben. Veja a programação:

Sexta-feira – 13 de abril
3h – Primeiro treino livre
5h15 – Segundo treino livre
10h20 – Classificação da corrida 1
10h40 – Classificação das corridas 2 e 3

Sábado – 14 de abril
6h05 – Corrida 1
11h30 – Corrida 2

Domingo – 15 de abril
10h45 – Corrida 3

* horários de Brasília

Calendário da F4 Alemã:

14 e 15 de abril – Oschersleben
5 e 6 de maio – Hockenheim
19 e 20 de maio – Lausitz
9 e 10 de junho – Spielberg
21 e 22 de julho – Hockenheim
4 e 5 de agosto – Nürburgring
22 e 23 de setembro – Hockenheim