Muffato e Rees não tiram os óculos nem para correr

A necessidade de usar óculos provoca desconforto em algumas pessoas. Raríssimos pilotos de corrida no mundo optam pela utilização durante as provas. Um dos mais famosos foi, sem dúvida, o americano Bobby Rahal, tricampeão da Fórmula Cart e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 1986. No Brasil, dois pilotos não trocam por nada o apetrecho, que no formato atual foi criado no Século 13, pelas mais modernas e práticas lentes de contato. David Muffato, vencedor de três corridas da Stock Car V8 nesta temporada e Fernando Rees, ganhador de uma prova da Fórmula-3 Sul-Americana em 2003, provam que os óculos não atrapalham em nada na hora de pilotar. Os dois podem ser considerados os Bobby Rahal tupiniquins.

Os dois brasileiros, que a exemplo de Rahal, sofrem de miopia estarão no próximo final de semana (dias 16 e 17) no Autódromo Internacional de Curitiba na sétima etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car V8, na quinta rodada dupla da F-3 Sul-Americana. No sábado e no domingo também será disputada a quarta rodada dupla da Stock Car Light.

“Gostaria de ter a chance de fazer pelo menos um pouco do que o Rahal fez no automobilismo americano. É uma honra ser comparado a ele, mas para mim bastaria um título só da F-Cart”, brincou David Muffato, de 32 anos e vice-líder da Stock Car V8.

Fernando Rees, de 18 anos, se considera jovem para ser chamado de Bobby Rahal, quando comparado a David, que já teve passagem pela Fórmula-3 Sul-Americana e depois direcionou a carreira para a categoria Turismo.

“Ele está melhor no campeonato. O Muffato é vice-líder enquanto eu estou somente em quinto”, brincou Rees que faz sua primeira temporada na Fórmula-3 Sul-Americana, que terá a próxima prova no dia 10 de agosto em Oberá, na Argentina.

A opção pelo uso dos óculos durante as corridas já provocou dificuldades para os dois. Muffato, que descobriu a deficiência visual somente aos 17 anos, diz que o maior problema mesmo é a umidade.

“Em dias chuvosos e quentes, principalmente quando o Stock Car está parado no grid, embaça, mas assim que começa a andar não tenho mais problema, apesar de dentro do Stock o calor ser muito grande”, diz Muffato que já correu na F-3 Sul-Americana.

Desde os 10 anos Fernando Rees se viu obrigado a usar óculos. Quando

começou no kart, ele sentiu a necessidade devido à dificuldade de enxergar longe, algo fundamental para um piloto.

“Tinha problema de ver os acidentes que aconteciam mais longe. Aí, fiz um teste e quando coloquei os óculos fiquei bem mais confortável. A imagem clareou e nunca mais tirei. Sei que o Rahal é um bom piloto e vi algumas corridas dele na tevê. Na verdade, ele é mais do tempo do David”, brinca Rees, que nas corridas do último final de semana em Oberá, Argentina, assumiu a terceira colocação na classificação geral da F-3.

Para evitar que as lentes fiquem embaçadas, quando morava e corria na

Europa, Rees descobriu um produto semelhante ao utilizado nas viseiras dos capacetes e resolveu a questão. Somente em 2002 ele enfrentou dificuldade.

“Foi em Ímola, numa prova da Fórmula Renault. O produto italiano acabou, a gente não encontrou nos mercados e a coisa, literalmente, embaçou. Nas curvas as lentes embaçavam e quando chegava na reta eu tinha de deixar a viseira um pouco aberta para limpar. Felizmente deu para fazer toda a corrida sem problemas”, brincou Rees, que é fã de esportes radicais como skate, que ele parou de praticar por considerar perigoso demais.

Vários pilotos em todo o mundo usam óculos. Entre os que assumem está o francês Sebastien Bordais, uma das revelações da Fórmula Cart. O canadense Greg Moore, falecido em 1999 numa corrida no veloz circuito de Fontana, nos Estados Unidos, também usava óculos.

Os canadenses Jacques Villeneuve, da BAR (F-1), e Paul Tracy, da Forsythe (F-Cart), são outros conhecidos e que nas provas apelam para as lentes. Entre os brasileiros, o mais famoso na Fórmula-1 é Rubens Barrichello. Vencedor do Grande Prêmio da Inglaterra, durante treinos e corridas Rubinho deixa os óculos de lado e usa lentes de contato.

A Fórmula-3 Sul-Americana tem organização da Vicar Promoções e supervisão da Confederação Sul-Americana de Automobilismo. O patrocínio é da Pirelli.

Nokia, líder mundial em comunicação móvel, apresenta a Stock Car Brasil, que tem promoção e organização da Vicar Promoções, com comercialização da Sports Momentum e supervisão da Confederação Brasileira de Automobilismo. Os patrocínios são de Chevrolet e Pirelli e co-patrocínios de Medley e Repsol.