Helio Castroneves: “Tentarei fazer ao menos o feijão com arroz”

Na luta para ser campeão da Fórmula Indy pela primeira vez, brasileiro admite que mudará estratégia após quatro batidas na trave, lamenta os impactos da crise no esporte a motor e deixa seu futuro na categoria em aberto

Jonas Moura
jonasmoura@lancenet.com.br

A estratégia do brasileiro Hélio Castroneves para tentar conquistar seu primeiro título da Fórmula Indy é fazer tudo diferente das quatro vezes em que ele bateu na trave no passado (foi vice em 2002, 2008, 2013 e 2014). Mais maduro aos 42 anos, o piloto da Penske sabe que precisa do resultado para realizar o desejo de se manter na categoria em 2018, em meio às especulações sobre sua saída da equipe.

Ao LANCE!, o paulista garantiu que mudará a estratégia na corrida final deste ano, lamentou a falta de apoio para a nova geração do automobilismo e mostrou confiança com o retorno da Indy ao Brasil.

O Grande Prêmio de Sonoma (EUA), última etapa do ano, acontece neste domingo, às 19h40 (de Brasília). Hélio é o terceiro na classificação, com 538 pontos. O americano Josep Newgarden lidera (560), à frente do neozelandês Scott Dixon (557).

Para ser campeão, Castroneves tem de vencer em Sonoma e levar três pontos de bonificação a mais que Newgarden.

Confira a entrevista:

Você chega a Sonoma com chances de ser campeão, mas em uma briga acirrada e em situação mais difícil que os dois primeiros colocados. Como tem lidado com esse cenário? Sente que o título é possível?

Tenho chances tão boas quanto os outros pilotos que estão na briga. Obviamente, agora é tentar extrair o melhor possível da performance do carro nos treinos e nos colocar em uma posição de vitória novamente. Não tem muita matemática. É chegar na frente para não ter de pensar em fazer conta no fim.

Você já ficou perto do título da Indy em outras ocasiões e bateu na trave. Isso vem à cabeça agora? Qual é a sua estratégia para mudar a história?
Sim, já fiquei perto do título, não será a primeira vez. Tentarei fazer exatamente o contrário do que fiz no passado, pelo simples fato de não ter funcionado. No ano passado, arriscamos, tentamos ganhar a última corrida e, infelizmente, não deu certo. Tentaremos fazer pelo menos o feijão com arroz. Lidar com a situação durante o momento. Mas estou confiante, não só em mim como na minha equipe. Sei que o Roger (Penske, dono da equipe) gostaria muito dessa conquista com ele no comando. Seria muito especial ganhar.

Que balanço faz da temporada? Qual foi o melhor o pior momento para você?
O balanço é de um ano consistente. Tivemos vários top10, e uma vitória. Infelizmente, algumas corridas acabaram fugindo um pouco do nosso controle. Mas acredito que tem sido uma temporada bem constante. Demos praticamente 400 voltas, bem parecido com o que fiz em 2008, quando também disputei o título. A performance foi tão boa quanto no passado. Agora, tenho de executar isso.

Como você vê a ascensão do Matheus Leist na Indy Lights? Qual a importância dele no contexto atual para o país?

Sendo sincero, conversei com ele uma vez. Não acompanhei muito o que está acontecendo. Mas é bom ter pilotos brasileiros da nova geração para o futuro da Indy aqui.

Por que você acredita que tem sido tão difícil para a geração atual do Brasil alcançar a elite do automobilismo? O que é preciso fazer para mudar isto?
Acredito que muito se deve à situação política e econômica do Brasil, que passou por uma fase complicada. Isso afetou o futuro da nova geração para sair do país. Com a StockCar, abriram portas no passado para que os pilotos pudessem sobreviver do automobilismo nacional. É importante que aconteça. Mas acredito que, no breve futuro, isso irá mudar e teremos a nova geração que nós tanto queremos.

A F-1 já tem prova no Brasil e a Fórmula E passará a ter ano que vem. Acredita que o mesmo pode vir a acontecer com a Indy? Tem alguma previsão?
A mesma situação em relação ao futuro da geração do Brasil. O que funcionaria seria ter a corrida da Indy no Brasil de volta. Vai depender da situação política, de patrocínios, de muitos fatores, mas acho que um dia a categoria irá voltar.

Como foi para você, que mora na Flórida, fugir do Furação Irma, às vésperas de uma decisão?
Foi uma situação bem delicada. Felizmente, ele teve uma virada na última hora. Isso fez com que a situação amenizasse. Imagino se o Irma chegasse no olho, em cima de Miami e Fort Lauderdale. Realmente, teríamos outra história. Foi muita sorte. Minha casa não teve problema. Estive em Atlanta, com a família, e vim para o Brasil. Preferi nem arriscar voltar à Miami. A luz já voltou. A recuperação foi rápida.

Até o momento, como está sua situação em relação à Penske para 2018? Os rumores sobre a sua permanência com a manutenção dos quatro carros procede? Há alguns meses, foi especulado que você poderia disputar o campeonato de protótipos. Isto ainda é possível? Qual é sua maior vontade no momento?
Minha situação agora é apenas focar 100% nessa última prova. No momento oportuno, anunciaremos o que farei no ano que vem.

QUEM É ELE

NOME
Hélio Castro Neves

NASCIMENTO
10/5/1975 – Ribeirão Preto (SP)

Conquistas
Foi vice-campeão da Indy em 2002, 2008, 2013 e 2014, e venceu as 500 Milhas de Indianápolis em três ocasiões: em 2001, 2002 e 2009.

Carreira
Começou no kart, passou pela F-3 Sul-americana, F-3 Inglesa e Indy Lights até chegar à Indy em 1998, pela Bettenhausen. Antes da Penske, defendeu a Hogan Racing.