Alexander Rossi vence 100ª edição da Indy 500

Com cinco voltas para o final, todos os olhos estavam nos dados de combustível dos carros que lideravam e tentavam vencer a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, pensando quem conseguiria fazer com que seu ‘stint’ ultrapassasse a marca de 35 voltas ao invés de precisar parar nos boxes com a bandeira quadriculada tão próxima.

Quase todos os pilotos tentaram fazer isto, Alexander Rossi conseguiu. Enquanto todos os carros em torno dele foram para os boxes, volta a volta ele foi subindo pela classificação tentando somente continuar com seu carro na pista, fazendo cada volta tão econômica quanto possível. Iniciando sua 36ª volta desde sua última parada, Rossi ouviu pelo rádio que era para tirar o pé o máximo na última volta ao invés de entrar nos boxes.

Enquanto isto, atrás dele, Carlos Muñoz estava voando a 218mph, se aproximando do americano na reta oposta, exatamente quando Rossi ouviu pelo rádio: “pisa tudo!”.

Rossi apertou o acelerador, voando para a linha de chegada enquanto seu motor engasgava por mais combustível. Muñoz entrou na reta principal pisando tudo com combustível de sobra, mas apesar de Rossi se arrastar até a linha de tijolos, o colombiano precisaria de pouco menos de cinco segundos para ultrapassar o americano para vitória.

O carro de Rossi parou na pista durante a volta da vitória, mas apenas depois da volta vencedora com uma média de 179.784mph torna-lo no primeiro novato em 15 anos a vencer a corrida. O carro #98 da Andretti Autosport teve que ser rebocado até o pódio onde Rossi comemorou com leite, dizendo ‘Esta vitória mudará minha vida’.

Mas isto quase não aconteceu. A todo momento havia, pelo menos, seis carros liderando e trocando constantemente de posições. As diferenças nos carros eram tão pequenas que em alguns casos, os dois primeiros trocavam de posição duas ou três vezes por volta. No final, 13 pilotos tiveram a honra de liderar e trocaram a liderança entre eles por mais de 50 vezes. A corrida no total teve 800 passagens e uma velocidade média de 166mph.

Antes das últimas voltas, porém, Rossi não parecia favorito. Pilotando por Bryan Herta e Andretti Autosport, Rossi parou junto com os líderes durante a última bandeira amarela da corrida, causada na volta 162 quando Takuma Sato acertou o muro na reta principal. Foi à beira do ‘stint’ máximo, mas muitos apostavam que outra bandeira amarela viria antes do final.

No entanto, muito para o desgosto de todos os outros, ela nunca veio.

Esperando desesperadamente por uma bandeira amarela, pilotos tentaram reduzir a mistura de combustível o máximo possível, mas todos eles foram forçados para os boxes para um ‘splash-and-go’.

Tony Kanaan foi um dos primeiros líderes a parar, entrando com oito voltas para o final. Dada a distribuição do pelotão, porém, ele sabia que havia uma chance que ele pudesse voltar à liderança caso tivesse a velocidade correta até o fim de uma possível rodada de pit-stops. Neste ponto, Rossi estava em quinto, um dos muitos pilotos que ouviu para economizar combustível apesar de estar com somente seis voltas desde o início do seu ‘stint’ com ainda mais de 30 voltas pela frente.

Muñoz liderou em seguida, enquanto Newgarden parou quando ocupava a segunda posição junto com Hinchcliffe, elevando Rossi para segundo. Com cinco voltas para o final, o colombiano entrou nos boxes tendo construído uma grande vantagem. Ele saiu atrás do californiano, cujos tempos de volta pioravam vertiginosamente, mas ele não conseguiu alcança-lo a tempo.

A corrida parecia tão imprevisível durante toda parte, com o pole Hinchcliffe trocando a liderança com Ryan Hunter-Reay por muitas voltas. Townsend Bell juntou-se às trocas, como faria Newgarden e Kanaan, antes da primeira parada nos boxes em bandeira verde depois de quase 30 voltas.

Uma parada lenta derrubou Hinchcliffe, mas ele conseguiu lutar e subir, terminando em sétimo.

Detritos na pista causaram a primeira bandeira amarela do dia na volta 47, permitindo o pelotão parar nos boxes. O momento foi caótico já que Kanaan foi jogado contra o pit-wall por Will Power, mas ele depois disse que a pancada, que mudou um pouco o alinhamento do seu volante, na verdade deixou seu carro mais rápido.

O brasileiro lutaria com o resto até a segunda bandeira amarela na volta 64 quando o vencedor do ano passado Juan Pablo Montoya rodou saindo da Curva 2 e bateu contra o muro. Ele ficou em último, mas escapou ileso do acidente.

A bandeira amarela foi prorrogada inesperadamente quando gotas de chuva foram reportadas por oficiais da Indy, mas a alta temperatura da pista afastou a umidade e deu bandeira verde para os pilotos na volta 75.

Depois de uma rodada de pit-stop durante aquela bandeira amarela, a jornada de Helio Castroneves por sua quarta vitória na Indy 500 parecia ganhar nova vida quando seu carro repentinamente começou a ter um bom desempenho. Ele logo começou a trocar a liderança com Hinchcliffe, mas seu progresso foi interrompido por outra bandeira amarela na volta 94.

Bell e Sage Karam dividiram a Curva 1 roda a roda, e o carro de Karam perdeu o controle antes de bater contra o muro. O jovem americano teve seu carro arrastado por todo o muro externo das curvas 1 e 2 e precisou de ajuda para sair do carro.

A equipe de Kanaan mais tarde confirmou que a mão do brasileiro foi acertada por algum detrito deste acidente, mas ele ficou bem.

Passando da metade da corrida composta por 200 voltas, Bell logo entrou na disputa pela dianteira com Hunter-Reay e Kanaan, mas o pelotão logo tirou o pé quando Mikhail Aleshin bateu no muro, causando uma rodada do novato Conor Daly.

Na rodada de pit-stops, Hunter-Reay foi acertado por Bell quando os dois terminaram seus serviços com o segundo deles sendo tocado por Castroneves. Os reparos colocaram-nos duas voltas atrás dos líderes e tirando-os da briga pela vitória.

Com dois dos líderes optando por uma estratégia diferente, Rossi e Alex Tagliani permaneceram na pista, permitindo que o americano liderasse na relargada. Ele trocaria de posição com Tagliani, que eventualmente fez 38 voltas com aquele tanque antes de parar nos boxes. Rossi conseguiu completar 33 antes do seu ‘stint’ final dar-lhe a vitória, e foi seguido por Charlie Kimball, que adotou a mesma estratégia.

Quando só alguns dos líderes estavam nos boxes para suas penúltimas paradas, porém, outra bandeira amarela veio quando Buddy Lazier perdeu sua roda dianteira na saída dos boxes. Sabendo que eles tinham combustível extra no tanque, a equipe de Rossi o manteve na pista, esperando que outras amarela o colocassem em vantagem em relação aos líderes.

As esperanças foram validadas quatro voltas depois da relargada quando o carro da AJ Foy, de Takuma Sato, acertou o muro e de repente a posição de Rossi era real, ao invés de ficar fora de ordem por conta de opções de estratégias diferentes.

Kimball, ainda na mesma estratégia, silenciosamente completou 36 voltas no seu último ‘stint’ também, o suficiente para colocá-lo na quinta posição.

Para Muñoz, ele novamente ficou perto de vencer a maior corrida do ano assim como fez em seu ano de estreia em 2013. Dois anos atrás ele também terminou numa sólida quarta posição, então ele sabe quão rápido é em Indianápolis.

“Eu vencerei a Indy 500 um dia”, disse depois da corrida, decepcionado, mas ainda esperançoso.

JR Hildebrand, que perdeu a Indy 500 em 2011 num acidente na última curva, terminou em sexto, usando uma estratégia similar à de Rossi. Hinchcliffe conseguiu terminar uma posição atrás dele, à frente de Dixon, Bourdais e Power, que também fez um ‘stint’ de 36 voltas no final.

Rossi, ainda piloto reserva da Manor na Fórmula 1, tornou-se o primeiro a vencer uma corrida desde Montoya e Castroneves em 2000 e 2001, respectivamente. Antes disto, não era feito desde Graham Hill vencer em 1966 sobre Jim Clark.

 

Confira o resultado da 100ª edição da Indy 500:

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