Coluna do Helinho: Os primeiros 32 pontos. E contando …

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Falaí, gente boa, tudo bem?

Estou muito contente de estar aqui no F1Mania para falar das coisas da Fórmula Indy. A ideia é estar aqui todas as quartas-feiras após cada etapa do 2016 Verizon IndyCar Series, que começou domingo passado em St. Petersburg. Então, já temos esse encontro marcado até o término da temporada.

E sobre essa corrida, vou ser honesto com vocês. Gostar, gostar eu não gostei, não. Essa foi a 11ª corrida que disputei em St. Petersburg

(que fica na Flórida, pertinho de Tampa) e já fui ao pódio seis vezes, sendo três vitórias (2006, 2007 e 2012), dois 2º lugares (2000 e 2013) e mais um 3º lugar, esse em 2014). Então, chegar em 4º não foi propriamente um super resultado, mas não posso reclamar. Diante das circunstâncias e pelo fato de a corrida não ter sido nada fácil, sair de lá com 32 pontos é uma maneira bem positiva de começar esse meu 19º campeonato da Indy.

Quando a gente vê todos os pilotos da Penske andando bem, liderando a maior parte do tempo, fica com a impressão de que tudo está indo muito bem e nenhum problema está acontecendo. Acontece que a circunstâncias da prova são diferentes para cada um e tudo aquilo que a gente fez desde os treinos permite que a reação seja diferente para cada um. No meu caso, a gente fez um planejamento de corrida que no papel estava perfeito, mas não deu tão certo assim. E querem saber? Ainda bem que corrida de automóveis, pelo menos na Indy, não é uma ciência exata. Tudo acontece e praticamente o grid inteiro tem chances. Está aí o Conor Dally, que mesmo numa equipe pequena como a Dale Coyne, fez um trabalho belíssimo e liderou várias voltas.

Bom, o Roger e eu estudamos uma estratégia bem legal porque os tempos estavam muito próximos e, como vocês sabem, ultrapassar em St. Petersburg não é propriamente uma coisa fácil. Então, a ideia era largar com pneus macios, aqueles que tem a borda vermelha, e ir para cima de qualquer jeito. Não consegui assumir a ponta, mas fiquei em 2º lutando com o Simon Pagenaud, o meu teammate que foi para a liderança.

Eu estava andando forte e meus tempos de volta eram bons, só que os pneus macios perderam eficiência depois de 10 voltas e eu fui perdendo posições até fazer o pit da 19ª volta em 6º. Coloquei o pneu duro e fui refazendo o caminho. Como caí para 14º com a parada, o negócio foi subindo devagarinho e já era 5º quando parei novamente, isso na volta 48.

Como eu já tinha usado os dois jogos de pneus, como manda o regulamento, faltando mais de meia corrida eu poderia escolher o pneu que eu quisesse. Foi aí que a gente tentou usar algo diferente. Como essa segunda parada foi em bandeira amarela, perdi pouco tempo. Então, de 5º voltei em 7º. Quando desse a relargada, eu com pneus macios ia definitivamente para o grupo da frente, mas aí a coisa complicou.

Aquela vantagem que eu pretendia com o segundo jogo de pneus macios não aconteceu porque veio uma boa sequência de bandeiras amarelas, inclusive aquela do engavetamento, e tive de rodar nada menos do que 14 voltas sem usar todo o potencial do pneus. E por falar em engavetamento, escapei na sorte daquela confusão. Consegui passar o Ryan Hunter-Reay, por dentro, quase raspando no muro, e fui embora. Se eu tivesse ficado atrás dele, muito provavelmente teria sobrado alguma coisa para mim. Se vocês olharem as imagens, o Graham Rahal, que foi quem rodou depois do acidente com Carlos Munhoz, estava bem pertindo de mim antes de tudo acontecer.

Bom, para resumir, o pessoal da frente conseguiu retardar as paradas por causa das amarelas e, no final, os pneus macios do vencedor Juan Pablo Montoya, do Pagenaud (2º) e do Hunter-Reay, que me passou no finalzinho e me robou o pódio, acabaram durando mais do que a gente imaginava. E teve ainda uma boa presença de retardatários no final da corrida que impediu a reação que pretendia. Então, como quase fui envolvido naquele acidente e pelo fato de ter visto a minha estratégia de pneus comprometida com a sequência de amarelas, acabou ficando bom o resultado.

A super boa notícia desta quarta-feira é que o Will Power está bem. A gente levou um susto por causa dele. No sábado, depois de fazer a pole, ele saiu do carro se sentindo mal. Deu a impressão que teria sido alguma coisa que ele comeu, mas aí os médicos relacionaram com o acidente que ele sofreu nos treinos de sexta. Foi detectada uma concussão e o Oriol Serviá entrou no lugar dele nessa corrida. Aí ele fez uma bateria de exames, viraram o australiano de cabeça para baixo no setor de concussão da University of Miami e constaram que o gente boa está bem.

Bom, pessoal, é isso aí. Um forte abraço para todo mundo do F1Mania e quem quiser entrar em contato comigo é só enviar sua mensagem para press@heliocastroneves.com. Abraço grande e vamos que vamos! No dia 6 de abril eu volto para falar da corrida em Phoenix.

Publi1 - Helio Castroneves